domingo, 30 de dezembro de 2007

Queijos Suíços "Made in Paraguai"

Por Andrés Colmán Gutiérrez - Diário Última Hora*

Chegou a 14 anos no Paraguai, com a intenção de investir em uma chácara de criação de porcos, mas não deu muito certo. Sobrou-lhe algum dinheiro e então pensou: “Por que não trabalhar na mesma profissão que tinha se dedicado em sua Suíça natal, fabricar queijos da estação?”.

“Em meu país, trabalhei em uma fábrica de queijos e estudei até receber o grau de mestre queijeiro, mas não pensava dedicar-me a isso. Disseram-me que aqui quase ninguém consome esse tipo de produto, só o tradicional queijo Paraguay ou o queijo tipo sanduíche, mas decidi arriscar e gastei todo o dinheiro que tinha para montar minha fábrica. Comecei no ano 2000”, conta Dominique Frossard, hoje, casado com uma paraguaia e pai de dois filhos já nascidos nesta terra.

A fábrica de queijos Cremo fica na Ruta VI, no centro urbano da Colônia Yguazú, na pista esquerda indo de Asunción a Ciudad del Este. Um visível cartaz ajuda a encontrar facilmente o local, mas não oferece nem uma remota idéia das delícias guardadas nas câmaras frigoríficas de um edifício pequeno e pouco chamativo.

Basta transpor as portas herméticas para somar-se a um mundo que provocaria o delírio de qualquer gourmet. Prateleiras que exibem centenas de queijos das mais deliciosas variedades: gruyere, emmental, camembert, vacherin, raclette, tilsit, reblochon, munster, tome vaudoisse, pepato, boursin, sbrinz, babyswiss, são paulo, téte de moine, melange fondue e o infaltável tipo sanduíche.

“Não foi nada fácil, a princípio. Comecei com muito entusiasmo, processando grande quantidade de leite, mas o mercado não me respondeu em seguida. Em poucos meses, tive que jogar mais de cem quilos de queijos que apodreceram por falta de venda, perdi muito dinheiro. Então, parei e voltei a começar com uma produção menor”, relata Dominique.

Agora tem um mercado formado, embora ainda pequeno. Processa ao redor de mil litros de leite por dia e seus queijos são comercializados, principalmente, em Asunción, no Agroshopping, na Casa Rica, nos grandes supermercados e em regiões de imigrantes alemães, como Colônia Independência.

No Alto Paraná vende pouco, só nos supermercados regionais e em alguns restaurantes exclusivos de Ciudad del Este. Dois chacareiros de Yguazú, um japonês e um uruguaio, abastecem-lhe com um leite especial obtido de vacas da raça Jersey, que tem a característica de ser cremoso, ideal para este tipo de queijos.

“Tenho clientes que às vezes passam para comprar diretamente na fábrica, como o ministro da Corte, Sindulfo Blanco. Há pouco, quando o presidente Nicanor veio ao Alto Paraná, Itaipu ofereceu uma recepção com meus queijos de forma exclusiva. Aos poucos vou ficando conhecido. Creio que o paraguaio aprecia o bom queijo, só falta que prove uma vez. Além disso, meus preços são muito mais baratos que qualquer queijo importado, e creio que de melhor qualidade”, sustenta.

O empresário imigrante não se arrepende de ter investido toda sua fortuna no Paraguai. “Aqui estou fazendo minha vida, formando minha família, e creio que há muita gente empreendedora à qual dar oportunidades. Eu não tenho concorrência, ninguém faz os tipos de queijo que faço, e gostaria que houvesse mais”.

“Só outro suíço que também é queijeiro, que tem um pequeno negócio em Nueva Itália e faz um roquefort paraguaio delicioso, embora em pequena quantidade. Os menonitas fazem outros tipos de queijos. Gostaria de unir-me a eles e exportar juntos, demonstrar que o Paraguai pode fabricar queijos de alta qualidade e posicionar-se também no mercado internacional”, diz Dominique Frossard.

Em uma tábua, Dominique convida a degustar aperitivos de cada variedade, e o enviado do Última Hora pôde certificar que o sabor e a qualidade não têm nada que invejar a qualquer queijo fino importado. Agora, só falta o vinho.

* Andrés Colmán Gutiérrez é jornalista e escritor. Artigo publicado originalmente, em espanhol, no Diário Última Hora, de Asunción, e gentilmente cedido pelo autor para publicação neste espaço. Tradução: SopaBrasiguaia.com.

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Um comentário:

  1. Gostaria de poder contactar a fabrica de quesos cremo em colonia Yguazú.
    Urgente
    Mail: aseugosto@sapo.pt
    jose carlos
    Porto- portugal

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