domingo, 23 de março de 2008

Tradição e Fé Marcam a Páscoa no Paraguai

Por Guilherme Dreyer Wojciechowski - SopaBrasiguaia.com

País majoritariamente católico, com sincretismo entre elementos de origem européia e guarani, o Paraguai tem na Páscoa um dos pontos altos em seu calendário de festividades sociais e familiares, pautadas pela fé e pela tradição, mesmo em tempos nos quais costumes estrangeiros começam a ser incorporados.

Um destes novos costumes, precisamente, é o ovo de páscoa, de chocolate, que devido à influência de filmes, programas de televisão e anúncios publicitários bancados por companhias brasileiras e argentinas, vem tornando-se coqueluche entre as novas gerações.

O alimento mais tradicional para esta época do ano, no entanto, é a chipa, espécie de pão de queijo paraguaio, com casca crocante e massa de farinha de milho, preparado de forma artesanal pelas famílias mais numerosas, como forma de integrar seus membros e distribui-la a vizinhos, amigos e desconhecidos.

Outro hábito que chama a atenção dos estrangeiros é o da “Santa Páscoa”, que ao contrário do que o nome sugere, consiste em uma sessão de disciplinamento e redenção dos pecados, com os membros mais velhos da família aplicando palmadas no traseiro dos mais novos, mesmo quando estes já se tornaram adultos.

Festas Populares

Entre as procissões e atos religiosos mais conhecidos e tradicionais do Paraguai, podemos citar, entre outros, os celebrados em Tañarandy, Yaguarón e o circuito das “Sete Igrejas”, em Asunción. Como festa profana, os lamentáveis episódios ocorridos nos balneários de Villa Florida.

Em Tañarandy, distrito de San Ignacio (Misiones), a procissão tem início na noite de Sexta-Feira Santa, com mascarados munidos de tochas percorrendo as ruas da cidade, em busca de Cristo, em ato que culmina com a encenação da paixão e morte do profeta.

Em Yaguarón, na festa deste ano, mais de 20 mil pessoas reuniram-se no Cerro Santo Tomás para presenciar uma teatralizada interpretação da Via Crucis. Em Asunción, peregrinos percorrem sete tradicionais igrejas da cidade, em busca de bênção e redenção de seus pecados.

Em Villa Florida, por sua vez, jovens alcoolizados protagonizam cenas de nudismo e shows eróticos nos balneários situados nas aforas da cidade, em confusão que resultou, neste ano, na queima da sacristia e do altar de uma igreja, por vândalos descontentes com a repressão promovida pela polícia.

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