domingo, 10 de agosto de 2008

Escolas Bilíngües Acentuam Integração

Por Guilherme Dreyer Wojciechowski - SopaBrasiguaia.com

O Ministério da Educação (MEC) ampliará, a partir de 2009, seu projeto de formação de Escolas Bilíngües de Fronteira à divisa com o Paraguai e o Uruguai. Criado em 2004, o programa é uma parceria entre os governos de Brasil e Argentina, ocorrendo em cinco cidades de cada país.

Em entrevista à Agência Brasil, Roberta Oliveira, supervisora do MEC, revelou que os primeiros passos para que isso ocorra já estão em andamento. “Nesse segundo semestre a gente vai fazer o diagnóstico sociolingüístico e conversar com os professores para eles estarem preparados para começar em fevereiro”.

No início nós não sabíamos muito bem como isso iria acontecer porque não há notícia de projetos semelhantes. O que existe são escolas com professores bilíngües que trabalham só naquele colégio. Mas nesse trabalho o professor vem de outro país trabalhar aqui, isso é muito novo”, disse.

No experimento pioneiro, realizado em cidades de Brasil e Argentina, constatou-se que as crianças brasileiras têm mais dificuldades para expressar-se e compreender o idioma hispânico, do que suas vizinhas argentinas em relação ao português falado no Brasil.

Elas (crianças brasileiras) estranharam mais porque tinham muito menos contato com o espanhol do que os argentinos têm com o português. Mas hoje elas compreendem muito bem o espanhol, apesar de ainda tentarem falar em português com as professoras argentinas”, afirmou.

Mas a língua é um detalhe, a questão intercultural mesmo, do dia-a-dia, isso que é realmente o trabalho do projeto. Um trabalho que os professores desenvolvem com muita força é olhar pra escola do outro e aceitá-la porque as diferenças são grandes. Esse é o maior aprendizado”, avaliou.

Na opinião da coordenadora, a particularidade do projeto está na formação diferenciada das crianças de regiões separadas, muitas vezes, apenas por barreiras psicológicas. “Talvez seja um objetivo grande, mas a gente espera que elas sejam adultos diferentes dos que vivem hoje na fronteira”.

O que a gente encontrou lá são pessoas próximas fisicamente, mas que nunca se olhavam a não ser que houvesse algum interesse, não pensavam o que podiam aprender com o outro. A gente espera que essa criança tenha uma outra visão do espaço de convívio que foi marcado como um lugar de separação”.

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