quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Camponeses Protestam nas Rodovias do Paraguai

Por Guilherme Dreyer Wojciechowski - SopaBrasiguaia.com

Camponeses paraguaios, mobilizados em distintos pontos do país, organizaram nesta quarta-feira (19) um novo dia de protestos para reivindicar a substituição das autoridades judiciais e cobrar do presidente Fernando Lugo a aplicação imediata de um plano de “reforma agrária integral” no país.

No departamento (estado) de San Pedro, foco dos primeiros conflitos, o maior contingente de manifestantes aglomerou-se nas imediações de Santa Rosa del Aguaray, bloqueando o trânsito na Ruta III e interrompendo o trânsito em direção à região norte do Paraguai.

Já nas proximidades da fronteira com o Brasil, os camponeses bloquearam a Ruta VI, na divisa entre os departamentos (estados) de Alto Paraná e Itapúa, e a intersecção entre as rutas VI e VII, situada em Minga Guazú, a 30 quilômetros da Ponte da Amizade.

Mais ao norte, em Minga Porã, município paraguaio situado às margens do Lago de Itaipu, cerca de 300 manifestantes protestaram em frente ao Juizado Penal de Garantias e à sede local do Ministério Público, solicitando a libertação dos presos após o confronto com a polícia ocorrido na sexta-feira (14).

Vandalismo

Em sua edição de hoje (20), o Diário Vanguardia, de Ciudad del Este, relata um caso que beira os limites do absurdo, ocorrido na tarde de terça-feira (18), em protesto igualmente realizado por camponeses no Km 30 da Ruta Internacional VII.

De acordo com o jornal, manifestantes enfurecidos depredaram uma caminhonete pertencente à Secretaria Nacional Anti-Drogas (SENAD), cujos agentes retornavam de uma operação realizada no sul do país e foram agredidos com paus pela turba enfurecida.

A justificativa para a agressão, segundo o Vanguardia, foi a de que os agentes teriam sido enviados ao local com supostas ordens para assassinar os líderes do protesto, versão que, mesmo delirante, foi suficiente para que os camponeses interrompessem a marcha do veículo e agredissem seus ocupantes.

Os autores do atentado seriam os mesmos que, semanas atrás, expulsaram policiais que custodiavam plantações pertencentes a imigrantes japoneses na região de Yguazú e instalaram armadilhas para destruir pneus de tratores e retardar o plantio das lavouras.

Reação

Em resposta às cada vez mais freqüentes manifestações realizadas pelos sem-terra, agricultores anunciaram, para os dias 15 e 16 de dezembro, um protesto nacional para exigir do governo soluções à problemática da violência no campo, que afeta produtores de todas as origens e portes de propriedades.

Héctor Cristaldo, presidente da União dos Grêmios da Produção (UGP), disse ao jornal ABC Color que a violência é gerada por um pequeno grupo de camponeses radicalizados, que com suas ações extremistas, estão espalhando o clima de enfrentamento por todo o país.

Se não podemos trabalhar em nossas chácaras, vamos sair com nossos tratores para as ruas”, afirmou. “Vocês já viram que mesmo com custódia policial, os camponeses colocam tábuas com pregos para furar os pneus das máquinas e impedir o cultivo. Desse jeito, não é possível continuar trabalhando”.

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