terça-feira, 18 de novembro de 2008

Paraguai Cancela Licença de Empresa Brasileira

Por Guilherme Dreyer Wojciechowski - SopaBrasiguaia.com

Uma empresa pecuarista brasileira, acusada de depredação ecológica em área habitada pela último tribo indígena isolada da América do Sul (fora da Amazônia), teve sua licença ambiental suspensa pela Secretaria de Meio Ambiente (SEAM) do Paraguai.

De acordo com o jornal ABC Color, trata-se da empresa Yaguareté Porã, que em tentativa de autuação anterior, ocorrida em 28/10, impedira a passagem de fiscais e representantes de entidades indígenas e ambientais em área situada no extremo norte do Paraguai, próximo à fronteira com Brasil e Bolívia.

Conforme medições feitas via satélite, técnicos da empresa estariam desmatando hectares de bosque que, de acordo com o plano de gerenciamento ambiental apresentado e aprovado pela SEAM, não faziam parte das terras nas quais a criação de pastagens fora permitida.

No local, situado nas proximidades do Parque Nacional Médanos del Chaco, vivem indígenas da tribo Ayoreo Totobiegosode, que conta com grupos ainda não-contatados pelo “homem branco” e que foram avistados, desde meados de 2006, em pelo menos duas oportunidades.

Na primeira ocasião, um grupo de cerca de nove indivíduos deixou rastros em áreas próximas a fazendas de cria de gado e foi visto caçando por membros de outra tribo Ayoreo. Na segunda, um grupo menor foi avistado caminhando em meio à espessa vegetação do Chaco paraguaio.

O direito dos indígenas permanecerem às margens do contato com a “civilização” é defendido por organizações não-governamentais como a Survival Internacional e a Organização Gente, Ambiente e Território (GAT), que intercederam junto ao governo para a verificação dos delitos ambientais.

Retorno à Selva

Disperso pela região norte do Paraguai, ayoreos já contatados e retirados de suas terras ancestrais pelo “progresso” manifestaram sua intenção de retornar à “selva”, instalando-se nas proximidades das isoladas localidades paraguaias de Estancia La Pátria, Gabino Mendoza e Madrejón.

Segundo o jornal ABC Color, o grupo é composto por idosos e, também, por jovens desejosos de conhecer as paisagens relatadas pelos avós em suas histórias sobre os tempos de juventude. No total, 21 pessoas manifestaram sua disposição de “repovoar” a área anteriormente habitada pela tribo.

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