segunda-feira, 21 de junho de 2010

Ministro Fala de Patrulha e Zona Franca na Fronteira

Por Guilherme Dreyer Wojciechowski - SopaBrasiguaia.com

No Paraguai na última sexta-feira (18) para participar da reunião de ministros da área de segurança no Mercosul, o ministro brasileiro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, falou sobre o reforço no patrulhamento e o projeto de criação de uma zona franca na Tríplice Fronteira.

Em entrevista ao Diário Última Hora, Barreto avaliou que o crime organizado ocupa brechas deixadas pela ausência do Estado e beneficia-se da falta de comunicação entre as autoridades policiais e judiciais de cada país. Para vencê-lo, é preciso mais do que trabalhar apenas em sua repressão.

A melhor maneira de trabalhar para a região [Tríplice Fronteira Brasil, Paraguai e Argentina] é o desenvolvimento econômico e social. Nós começamos a estudar um projeto para ter uma zona franca na região da Tríplice Fronteira”, afirmou.

Esta poderia ser uma zona de trabalho conjunto entre Brasil, Paraguai e Argentina para a produção de computadores, artigos eletrônicos. Com um desenvolvimento econômico-social efetivo, a criminalidade perderia seu espaço para atuar”.

Na Tríplice Fronteira, as máfias chinesas, coreanas, libanesas, brasileiras e paraguaias conseguiram muitíssimo dinheiro com atividades criminosas. Mas a população, no geral, não. Há muito dinheiro na região, mas a população continua na pobreza e com problemas sociais”, avaliou.

Em primeiro lugar, o desenvolvimento de atividades legais e, depois, a integração entre as polícias. Se há um campo para trabalho legal para a população, ninguém vai trabalhar para as organizações criminosas”.

Os criminosos continuam na região porque há contrabando, há narcotráfico, há negócios sujos. Se cessamos isso com outras atividades econômicas, o crime se traslada a outro lugar. A melhor maneira de desenvolver a Tríplice Fronteira é por meio da indústria formal e o turismo”, concluiu.

Já sobre a proposta brasileira de criação de uma “patrulha fronteiriça” para combater o crime organizado nas fronteiras do Mercosul e países associados, apresentada durante a reunião de sexta, Barreto revelou que, inicialmente, “é mais uma questão de comunicação entre as polícias de cada país”.

Com investigações em conjunto podemos combater com maior efetividade estes crimes. Implica compartilhar meios eletrônicos, bases de dados, algo que não requer muito investimento. Pode-se fazer muitíssimo com pouco dinheiro [...] Nossas polícias não podem fazer o trabalho isoladamente”, disse.

Extraoficialmente, a imprensa paraguaia publica a cifra de R$ 90 milhões como ponto de partida brasileiro para a compra de “helicópteros, viaturas e formação de agentes” para atuação nas regiões de fronteira. Tal valor não foi confirmado por Barreto ou pelos representantes brasileiros presentes.

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