terça-feira, 30 de novembro de 2010

Para EUA, PF “mascara” combate ao terrorismo

30.11.10 - Entre os mais de 250 mil documentos confidenciais estadunidenses, divulgados pelo site WikiLeaks no último domingo (28), vários deles fazem referência ao Brasil e, em especial, à presença de “terroristas islâmicos” na região da Tríplice Fronteira.

Imagem de arquivo

Um dos memorandos de comunicação entre Washington e a embaixada dos Estados Unidos em Brasília revela, por exemplo, que no ano de 2007, a Polícia Federal (PF) brasileira prendeu, no estado de Santa Catarina, um “potencial extremista sunita” que teria ingressado ao país com dinheiro não-declarado.

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"Policiais brasileiros monitoram ativamente a presença de vários supostos extremistas sunitas, com possíveis laços com grupos terroristas fora do país, os quais podem ser capazes de prestar apoio logístico - através do financiamento, esconderijos, documentos falsos - para ataques terroristas na região ou mais além", refere o documento, repercutido por fontes como o portal Paraná Online.

"Em 2007, a Polícia Federal do Brasil deteve um potencial extremista sunita, operando principalmente no Estado de Santa Catarina, por ele não ter declarado quanto dinheiro tinha quando entrou no país, e está em processo de deportá-lo. Também em 2007, a Polícia Federal brasileira estourou uma rede de falsificação de documentos no Rio de Janeiro, que estava fornecendo documentos falsificados a não brasileiros, entre eles suspeitos do tráfico internacional de drogas", complementa o memorando.

Uma das principais críticas dos “espiões” estadunidenses, expressa em vários documentos, é quanto à postura da PF em evitar que prisões de terroristas ou simpatizantes sejam divulgadas como tal, como forma de não prejudicar o país ou o turismo na Tríplice Fronteira.

A Polícia Federal irá muitas vezes prender indivíduos com ligação com o terrorismo, mas irá acusá-los de uma variedade de crimes não relacionados ao terrorismo para evitar chamar a atenção da imprensa e dos altos níveis do governo. No ano passado, a Polícia Federal prendeu vários indivíduos envolvidos em suspeita de financiamento de atividades terroristas, mas justificaram a prisão em tráfico de drogas e acusações de crimes contra a receita”, descrevem os autores dos memorandos endereçados a Washington.

Outro documento, produzido no Consulado dos Estados Unidos em São Paulo e datado de 20 de novembro de 2009 (poucos dias antes da visita da representante especial dos EUA para as comunidades islâmicas, Farah Pandith), fala de “elementos radicais genuínos” em Foz do Iguaçu e São Paulo, e dá “dicas” sobre como lidar com tal “ameaça”.

"Enquanto a maioria dos muçulmanos do Brasil é moderada em orientação e a esmagadora maioria é moderada em obras e ações, genuínos elementos radicais existem aqui [São Paulo], alguns na área da Tríplice Fronteira em Foz do Iguaçu e outros entre a forte população xiita orientada ao Hizbollah em São Paulo, estimada em 20 mil pessoas", afirma o documento, citando a comunidade Xiita como “preocupação legítima” para o governo dos EUA.

Entre as estratégias para relacionar-se com tal população, os diplomatas sugerem o "engajamento de muçulmanos moderados", para "colocar radicais na defensiva e abrir canais de comunicação que podem levar a mais informações sobre elementos mais distantes da comunidade em razão de maior radicalismo", alertando, porém, que “trabalhar com moderados amigáveis não deve ser visto separadamente do monitoramento de elementos mais ameaçadores".

Por Guilherme Wojciechowski - SopaBrasiguaia.com.br

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