segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

ABC Color vê “outra traição à pátria” em Itaipu

27.12.10 - “Avizinha-se outra traição à Pátria”. Este é o título do editorial publicado neste domingo (26), pelo jornal ABC Color, tendo como tema a usina de Itaipu e a postura dos diretores Gustavo Codas (paraguaio) e Jorge Samek (brasileiro) em tranquilizar a população do país.

Reprodução / ABC Color

Jorge Samek e Gustavo Codas, diretores-gerais brasileiro e paraguaio, respectivamente, de Itaipu Binacional, puseram-se de acordo para efetuar declarações públicas 'tranquilizadoras' sobre quais serão os critérios e procedimentos para o chamado à licitação que a entidade fará para o projeto de construção do traçado da hoje já famosa linha de transmissão de 500 KV, da hidrelétrica a Villa Hayes”, descreve o jornal.

O núcleo da questão radica em que o custo da obra, sendo próximo a US$ 500 milhões, constitui um petisco muito apetecido para as empresas brasileiras que estão associadas com as diretorias que decidem estes negócios. De modo que o fato de que os diretores tenham realizado estas declarações, na forma como fizeram, tem, lamentavelmente, cheiro de manipulação e aumentam as suspeitas de que essas licitações estarão direcionadas”.

A história da construção da represa foi assim, desde seu começo. Os 98% dos benefícios econômicos das concessões de obras e serviços da execução do gigantesco e muito lucrativo projeto foram embolsados por empresas e consórcios brasileiros. As sobras foram deixadas aos paraguaios”, pontualiza o ABC Color.

As declarações públicas prometedoras de grandes vantagens e de todas as garantias de transparência e equidade foram sempre a tática utilizada para embaucar o público antes de serem feitos os grandes negócios de Itaipu. Recorde-se, como anedota ilustrativa de como foi o dia da assinatura do inócuo tratado, ocorrida em 26 de abril de 1973, que os funcionários do Itamaraty, em cumplicidade com os do governo de Stroessner, fizeram coincidir uma partida de futebol muito disputada entre Cerro Porteño e Botafogo, na qual os paraguaios iam perdendo por 2 x 0 até que aconteceu um 'milagre': nos cinco minutos finais, o Cerro marca três gols seguidos e vence, com um estalido de júbilo geral, notícia que acaparou, no dia seguinte, a atenção coletiva. Assim, os brasileiros embaucaram a opinião pública paraguaia, que deu maior importância ao resultado do jogo do que à assinatura do Tratado”, acusa o principal jornal paraguaio.

Contra Samek e todo o aparato brasileiro de poder que está atrás para respaldá-lo, é preciso muito mais do que um novato que caiu como diretor e dois ou três assessores. É necessária uma política especial, enérgica, inclaudicável, inteligente e patriótica, pensada, executada e dirigida a partir da Presidência da República, sempre e quando seu titular, o presidente Fernando Lugo, também não tenha claudicado frente ao poderoso vizinho, como ocorreu com seus antecessores”, opina o ABC Color.

Para ler o editorial, na íntegra (em espanhol), clique aqui.

Por Guilherme Wojciechowski - SopaBrasiguaia.com.br

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