segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Árabe de Foz é acusado pelos Estados Unidos

13.12.10 - Representante-chefe do grupo Hizbollah na América do Sul. Para o governo dos Estados Unidos, esta é a função do árabe naturalizado brasileiro Bilal Mohsen Wehbe, residente em Foz do Iguaçu e investigado pelos serviços de inteligência do país do norte.

De acordo com o Diário Catarinense, que publicou matéria sobre o tema em sua edição online neste domingo (12), Wehbe, considerado “terrorista” pelos estadunidenses, estaria proibido de utilizar os sistemas financeiro e comercial dos Estados Unidos, por conta de sua suposta vinculação com extremistas.

A notícia das restrições impostas ao árabe-brasileiro chega, curiosamente, no momento em que o site WikiLeaks, que teve acesso a mais de 250 mil documentos secretos da diplomacia estadunidense, revela a insatisfação de Washington com a postura brasileira quanto aos alegados casos de “terrorismo”.

Um dos memorandos de comunicação entre Washington e a embaixada dos Estados Unidos em Brasília revela, por exemplo, que no ano de 2007, a Polícia Federal (PF) brasileira prendeu, no estado de Santa Catarina, um “potencial extremista sunita” que teria ingressado ao país com dinheiro não-declarado.

"Policiais brasileiros monitoram ativamente a presença de vários supostos extremistas sunitas, com possíveis laços com grupos terroristas fora do país, os quais podem ser capazes de prestar apoio logístico - através do financiamento, esconderijos, documentos falsos - para ataques terroristas na região ou mais além", refere o documento, repercutido por fontes como o portal Paraná Online.

"Em 2007, a Polícia Federal do Brasil deteve um potencial extremista sunita, operando principalmente no Estado de Santa Catarina, por ele não ter declarado quanto dinheiro tinha quando entrou no país, e está em processo de deportá-lo. Também em 2007, a Polícia Federal brasileira estourou uma rede de falsificação de documentos no Rio de Janeiro, que estava fornecendo documentos falsificados a não brasileiros, entre eles suspeitos do tráfico internacional de drogas", complementa o memorando.

Uma das principais críticas dos “espiões” estadunidenses, expressa em vários documentos, é quanto à postura da PF em evitar que prisões de terroristas ou simpatizantes sejam divulgadas como tal, como forma de não prejudicar o país ou o turismo na Tríplice Fronteira.

A Polícia Federal irá muitas vezes prender indivíduos com ligação com o terrorismo, mas irá acusá-los de uma variedade de crimes não relacionados ao terrorismo para evitar chamar a atenção da imprensa e dos altos níveis do governo. No ano passado, a Polícia Federal prendeu vários indivíduos envolvidos em suspeita de financiamento de atividades terroristas, mas justificaram a prisão em tráfico de drogas e acusações de crimes contra a receita”, descrevem os autores dos memorandos endereçados a Washington.

Por Guilherme Wojciechowski - SopaBrasiguaia.com.br

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