quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Foz e Guaíra continuam na rota do tráfico de armas

22.12.10 - Dos municípios paranaenses que fazem fronteira com o Paraguai, dois deles aparecem na lista de 17 localidades brasileiras apontadas pela CPI da Violência Urbana como portas de entradas para o tráfico de armas e munições no Brasil: Foz do Iguaçu e Guaíra.

Foi o que revelou, nesta terça-feira (21), o portal G1, relatando que além de Foz e Guaíra, outros sete municípios sul-mato-grossenses, na fronteira com o Paraguai, estão incluídos na mesma lista: Corumbá, Bela Vista, Ponta Porã, Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas e Mundo Novo.

Desta maneira, segundo o relatório da CPI, a fronteira Brasil / Paraguai concentraria nove das 17 grandes rotas para a introdução de armamentos em território nacional, armamentos que, em muitos dos casos, são fabricados no próprio Brasil e exportados legalmente a casas de armas especializadas na “triangulação”.

Não por acaso, dados da ONG Viva Rio, divulgados na última segunda-feira (20), dão conta de que a esmagadora maioria das armas apreendidas ilegais em circulação no Brasil é de fabricação nacional, sendo obtidas através do tráfico, de assaltos e de venda clandestina de armas legalmente adquiridas.

"Vincula-se normalmente o crime com a arma ilegal, mas cerca de 30% das armas apreendidas em situação ilegal foram legalmente compradas. Sem controle do mercado, o canal está aberto para que as armas mergulhem na clandestinidade e no crime", descreve parte do estudo.

As armas estrangeiras, segundo a Viva Rio, representam apenas 20% do total apreendido no Brasil, com a exceção ficando por conta de Mato Grosso do Sul, onde o índice de 28,1% é superior à média nacional e o dobro do segundo colocado, o Rio de Janeiro, cujo percentual é de 14%.

O Mato Grosso do Sul é, também, um dos estados que mais apreende armas em todo o país, com média diária de 5,38 unidades e preocupantes estimativas de que de cada mil armas que circulam pelo estado, apenas nove (menos de 1%) são apreendidas pelas forças policiais ou de fiscalização.

O Brasil é o país recordista mundial em mortes por arma de fogo, com média anual de 34,3 mil, superando a quantidade de perdas de vidas em países que encontram-se oficialmente em guerra. A indústria bélica brasileira é, ainda, a sexta maior fabricante de armas pequenas e portáteis.

Por Guilherme Wojciechowski - SopaBrasiguaia.com.br

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