terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Imprensa brasileira “descobre” a fronteira seca

07.12.10 - Pode a “guerra” nos morros do Rio de Janeiro trazer reflexos positivos aos moradores da Tríplice Fronteira? Não só pode, como já está trazendo, com a súbita “descoberta” de que a região não é, como afirmava a imprensa, a principal porta de entrada para entorpecentes em território brasileiro.

Plantação de maconha na fronteira seca / SENAD

Nesta segunda-feira (06), o jornal O Globo, que movido pela má fama, mandou seu correspondente a Ciudad del Este, publicou matéria relatando aquilo que este blog já afirma há cinco anos: as plantações de maconha do país vizinho estão, em sua maioria, na fronteira seca com o estado de Mato Grosso do Sul.

Mais do que isso, O Globo “descobriu” que “um consórcio de traficantes cariocas e paulistas domina 70% das áreas de plantio de maconha em Capitán Bado e Pedro Juan Caballero, cidades na fronteira com o Mato Grosso do Sul”, e que 80% da droga apreendida no Rio de Janeiro provém da referida região.

Juntas, as facções carioca e paulista dominam as regiões, onde estão concentrados 4,2 mil hectares - 48,6 mil metros quadrados - de terras usadas no cultivo da Cannabis sativa. A cidade paraguaia de Capitán Bado figura como o principal reduto do bando”.

O domínio da região por traficantes brasileiros começou em 2001, após os assassinatos de Ramón e Mauro, filhos de João Morel, então considerado o rei da maconha”.

Investigações da Senad e de promotores da Fiscalía de Amambay - estado onde estão localizadas as cidades de Pedro Juan Caballero e Capitán Bado - apontam Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, como mandante dos crimes”, escreve O Globo.

Vale frisar, neste sentido, que Foz do Iguaçu e municípios do extremo oeste paranaense são, nacionalmente, os locais onde ocorrem mais apreensões de entorpecentes. Tal coeficiente decorre, principalmente, em função do grande aparato de fiscalização montado na região.

Na fronteira seca entre Paraguai e Mato Grosso do Sul, onde as plantações de maconha estão estrategicamente posicionadas, basta aos traficantes atravessar um caminho de terra ou transitar por estradas pouco patrulhadas, para chegar ao estado de São Paulo para distribuir suas “mercadorias”.

Além disso, a fronteira Paraguai / Mato Grosso do Sul está geograficamente mais próxima da Bolívia (principal “exportadora” de cocaína ao Brasil) e dos principais mercados consumidores, o que diminui custos de transporte e de propina aos traficantes que dominam as inúmeras rotas existentes na região.

Por Guilherme Wojciechowski - SopaBrasiguaia.com.br

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