segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Para repórter, comprar em CDE é financiar o crime

06.12.10 - “Quem compra [no comércio de Ciudad del Este] acha que está fazendo um bom negócio, só que na verdade, está financiando o crime organizado”. Foi o que afirmou, em matéria recheada de clichês e generalizações, o repórter Sandro Barboza, da TV Bandeirantes.

Para ver a reportagem, hospedada no portal UOL, clique aqui.

Em matéria levada ao ar na semana passada, em rede nacional, no Jornal da Band, Barboza “esmiúça” o lado ilícito do comércio fronteiriço, deixando de lado o roteiro de um turista normal, para ir em busca de capacetes de procedência duvidosa, anabolizantes de uso proibido e notas frias de empresas brasileiras.

Como era de se esperar, a reportagem é um show de generalizações. “Produtos eletrônicos com defeito são comercializados como novos. Medicamentos abortivos e até esteroides anabolizantes estão por toda a parte”, afirma o repórter, em abordagem focada, apenas, no lado negro do comércio fronteiriço.

No caso dos capacetes, por exemplo, Barboza foi a uma loja que trabalha com modelos “genéricos”. O mesmo procedimento repetiu-se durante a procura por anabolizantes, com o repórter visitando estabelecimentos que, por sua má fama, são evitados a todo custo por moradores de Ciudad del Este.

Em suas andanças pelas quadras próximas à Ponte da Amizade, o repórter aborda, ainda, um pasero responsável pelo transporte de caixas e mercadorias pertencentes a compristas brasileiros, em direção a portos clandestinos situados na barranca do rio Paraná.

Em nenhum momento da reportagem, Barboza dirigiu-se às lojas frequentadas por turistas ou procurou a opção por compras “normais” no comércio da fronteira, ignorando a existência de setores cada vez mais formalizados e responsáveis por milionárias arrecadações de impostos e alíquotas de importação.

Assistir à reportagem veiculada pelo Jornal da Band é, sem sombra de dúvidas, deparar-se com visão estereotipada e, por que não, mal intencionada em relação à fronteira, típica de jornalistas que, com ideias prontas na cabeça, aterrizam na região para três ou quatro dias de mais pura irresponsabilidade.

Por Guilherme Wojciechowski - SopaBrasiguaia.com.br

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3 comentários:

  1. Guilherme: Concordo absolutamente com o último parágrafo da coluna... A realidade crua e nua é que a corrupção aqui nos países sul americanos alcança a todas as instituições tanto do estado quanto as particulares, e isso tem muito a ver com essa reportagem da Band, totalmente tendenciosa e mal intencionada, apenas falando dos pontos negativos que existem aqui. Aliás, eu irei arriscar ao dizer que tudo isto faz parte de um plano de grupos (de lá, "do topo da montanha" e até de fora) com obscuras pretensões cuja finalidade é matar vários coelhos de uma cajadada só, sem se importar em prejudicar o sustento da maioria das pessoas aqui da região fronteiriça, e sem dar a mínima para as conseqüências que implica esta ação. Dos coelhos em questão, os mais gordos seriam: a elevada informalidade com a conseqüente sonegação que acarreta esta atividade; a ingerência em assuntos que dizem respeito da questão energética (obviamente Itaipu), e principalmente, a presença da comunidade muçulmana que supostamente financia células terroristas... Ao respeito destes pontos, pode até ser verdade, mas vamos supor se o Brasil decidisse fechar completamente as fronteiras aqui no Sul, militarizando-as sem antes efetuar profundas reformas em longo prazo (ao final inviáveis); certamente uma grande parte do povo deste e também do outro lado iria passar fome e como um efeito dominó o problema iria se disseminar desde o comércio até o transporte e ao final irá prejudicar gravemente toda a economia regional e todas as pessoas iriam senti-la fortemente, nas ruas e nas instituições. E assim como vão as coisas, não convém para ninguém comprar essa bronca.
    Mas o que eu sei com certeza, é que em vez de perder o tempo para futilidades “que nem aquela” mostrada pela Band, eu prefiro sentar embaixo do bonito pé de manga que tenho cá em casa, confortavelmente sentado no "silhão", esticando as pernas e tomando um tereré xirú bem gelado, curtindo o o sopabrasiguaia.blogspot.com através do sinal sem-fio com o meu netbook de 285 dólares (nem sequer passei da cota), comprado em Cidade do Leste... Aqui nós tentamos viver em paz, pagando nossos elevadíssimos impostos e trabalhando todos os dias sem incomodar ninguém. Obrigado pela postagem.

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  2. Se compra no py vc financia o crime.. se vc compra no Brasil vc financia tambem.. afinal os impostos desgraçados que pagamos aqui vao grande parte direto para o bolso de poucos..e enquanto pagamos caro pra dar boa vida a certos filhos da puta continuamos vivendo na merda, com saude precaria, com educação precaria, com essa desigualdade humilhante..
    Prefiro comprar no paraguay... e distribuir ainda..

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  3. peidei fedido aqui po
    acho que melei a cueca

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