segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Para tucanos, Brasil faz “corpo mole” sobre Itaipu

06.12.10 - O Paraguai enviou a Brasília, na semana passada, uma comitiva encabeçada pelo vice-chanceler Jorge Lara Castro, com o objetivo de dialogar com as lideranças das principais bancadas do Congresso brasileiro, em prol da rápida aprovação do acordo de 2009 sobre a usina de Itaipu.

Imagem: Divulgação / PSDB

Um dos encontros foi com os líderes do PSDB na Câmara dos Deputados, que negaram as acusações do petista Marco Aurélio Garcia (que culpou a oposição pela demora em aprovar a matéria) e apontaram que é o próprio governo que está fazendo “corpo mole” quanto ao tema.

É preciso deixar claro para o povo paraguaio: esse projeto ainda não teve sua conclusão na Câmara por absoluta falta de decisão política do governo, que tem maioria na Casa e pauta os projetos que quiser. O Paraguai não foi prioridade na gestão Lula”, afirmou o deputado pernambucano Bruno Araújo.

Por sua vez, Gustavo Fruet, deputado paranaense, acrescentou que “ao governo cabe o ônus de colocar a sua maioria para votar. Em todos os momentos que o Planalto quis votar projetos, inclusive os de política internacional, contou com o apoio da sua base”.

Na opinião dos parlamentares tucanos, que explicaram que o Palácio do Planalto poderia, neste período, ter solicitado regime de urgência para agilizar a votação da matéria, o governo brasileiro estaria, na verdade, empurrando com a barriga o compromisso assumido.

A versão dos deputados do PSDB coincide com a visão comum, presente na imprensa paraguaia, de que o Brasil “enrola” o Paraguai não apenas no compromisso quanto a Itaipu, mas, também, quanto à aplicação da Lei dos Sacoleiros e à remoção das barreiras que prejudicam o setor industrial paraguaio.

À época da assinatura do acordo, em julho de 2009, um dos pontos mais criticados foi a resistência brasileira em determinar datas e prazos para o cumprimento dos termos presentes no documento.

Foi cogitado, também, que a insistência para que o tema passasse pelos Parlamentos de ambos países (modificações anteriores, propostas pelo Brasil, não tiveram o mesmo trâmite) seria mera manobra para dilatar o trâmite. Como se vê, os que apostavam em tais teorias estão cada vez mais cheios de razão.

Por Guilherme Wojciechowski - SopaBrasiguaia.com.br

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