segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Paraguai cobra solução para impasse com a Argentina

13.12.10 - A ameaça de boicote à cúpula semestral do Mercosul está mantida. Caso a Argentina não acene com uma solução imediata ao problema que prejudica o Paraguai na hidrovia do Prata, o país vizinho não comparecerá ao evento que começa na quinta-feira (16) em Foz do Iguaçu.

Imagem: IP Paraguay

A afirmação foi feita neste domingo (12), pelo chanceler Héctor Lacognata, após reunião com o presidente Fernando Lugo. “O Paraguai não assistirá à Cúpula do Mercosul nesta semana. Esta é uma posição ratificada pelo presidente da república, que me pediu que a expressasse aos meios de comunicação”.

Nesta segunda-feira (13), haverá uma reunião decisiva na qual o representante do governo argentino estará reunindo-se com dirigentes sindicais, tentando destravar essa situação conforme à solicitação e às reivindicações planteadas pelo governo paraguaio”, informou Lacognata.

Na opinião do chanceler, que disse esperar por “resultados duradouros”, a reunião de hoje será uma “prova de fogo” para o governo argentino, no sentido de demonstrar sua boa vontade e empenho para a solução do impasse que arrasta-se desde meados de outubro.

Cálculos do setor empresarial paraguaio dão conta de que mais de sete mil containeres procedentes ou com destino ao país, estão parados nos portos fluviais da região de Buenos Aires, por conta de uma medida de força convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores Marítimos Unidos (SOMU).

Alegando “solidariedade” aos funcionários das 38 empresas paraguaias que atuam na hidrovia, os membros do SOMU recusam-se a manipular as cargas do país vizinho, como forma de pressionar pela assinatura de um contrato coletivo que lhes dê direitos similares aos dos trabalhadores argentinos.

Por trás do boicote, porém, estariam interesses políticos e econômicos para prejudicar as empresas paraguaias e favorecer companhias argentinas que, nos últimos anos, perderam seu histórico predomínio nas águas dos rios Paraná e Paraguai.

Tal versão aparece, até mesmo, em publicações da imprensa argentina, que apontam que a presidente Cristina Kirchner teria pedido aos sindicalistas, pessoalmente, para que adotassem medidas para favorecer as empresas de bandeira argentina, em detrimento às “concorrentes” do país vizinho.

A respeito, Carlos Jorge Biedermann, presidente da Câmara de Anunciantes do Paraguai (CAP), defendeu que caso a questão não seja solucionada de maneira satisfatória, o país denuncie o atropelo argentino junto a órgãos como a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Independente do resultado do diferendo, porém, Fernando Lugo deve vir a Foz do Iguaçu, no dia 16, para reunião bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Caso a recusa em participar da cúpula seja mantida, Lugo retornará ao Paraguai tão logo termine a reunião.

Por Guilherme Wojciechowski - SopaBrasiguaia.com.br

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