quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Paraguai pediu ajuda aos EUA para espionar celulares

23.12.10 - O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, e o ministro do Interior, Rafael Filizzola, solicitaram ao governo dos Estados Unidos acesso a tecnologia para monitoramento de até 90% das linhas de telefonia móvel em uso no país. É o que revela um novo telegrama diplomático vazado pelo site WikiLeaks.

De acordo com o documento, que estampa a capa dos principais jornais do país nesta quinta-feira (23), o pedido ocorreu em fevereiro do ano corrente, cerca de um mês depois da libertação do pecuarista Fidel Zavala, mantido em cativeiro, durante 94 dias, pelo grupo insurgente “Exército do Povo Paraguaio – EPP”.

O objetivo do pedido, relatado aos superiores em Washington pela embaixadora Liliana Ayalde, seria detectar e monitorar, em tempo real, linhas de celular que estivessem sendo utilizadas por membros do EPP e localizá-los antes que pudessem esboçar qualquer novo plano de ação.

Em seu parecer, Ayalde apontou que, aos Estados Unidos, não interessaria estar envolvidos “em um programa de interceptações que, mal empregado, pode servir para obter vantagens políticas”. Entretanto, a diplomata recomendava a aceitação do pedido, “para evitar um esfriamento das relações bilaterais”.

O documento revela, também, que o Paraguai investiu US$ 1,2 milhão para a compra, no Brasil, de potentes equipamentos de interceptação e que, em caso de não ser possível fazer as escutas sigilosamente, o “Plano B” era a edição de um impopular decreto contra as companhias telefônicas do país.

Tal decreto, segundo o documento vazado pelo site WikiLeaks, afetaria as companhias Tigo e Personal e obrigaria ambas ao fornecimento de dados sigilosos sobre seus clientes.

Sempre segundo o relato, as negociações com o governo dos Estados Unidos para a implantação de um “grampo gigante” no Paraguai teriam sido interrompidas devido à oposição de Antonio Fretes, ministro da Corte Suprema de Justiça, e César Damián Aquino, comandante da Secretaria Nacional Antidrogas.

Neste sentido, apenas um pequeno número de linhas, cujos proprietários teriam supostos vínculos com o EPP, teriam sido ou estariam sendo monitoradas pelo governo até o momento.

Em declarações à imprensa, Rafael Filizzola, ministro do Interior, questionou a veracidade do informe e apontou que “o site WikiLeaks não é fonte inteiramente confiável”. A Presidência da República, por sua vez, informou que não irá emitir comunicados a cada novo documento divulgado pelo site internacional.

Por Guilherme Wojciechowski - SopaBrasiguaia.com.br

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