quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Brasileiros “invadem” universidades paraguaias

05.01.11 - O mês de janeiro, tradicionalmente, é de férias no calendário acadêmico da maioria das instituições. No Paraguai, no entanto, o primeiro mês do ano é de “alta temporada” para brasileiros em busca de pós-graduação, mestrado e, até mesmo, doutorado.

Edifício da Universidad Americana em Asunción (FF. MM.)

Os motivos da alta procura obedecem, basicamente, a dois fatores principais: o menor custo dos cursos paraguaios, em comparação com o Brasil ou outros países do exterior; e a “flexibilidade” oferecida por universidades particulares que contam com programas específicos para este tipo de público.

Em entrevista ao jornal La Nación, Juan Beranger, reitor de pós-graduação da Universidad Americana, com sede central em Asunción, apontou que, para os estudantes brasileiros que não têm acesso ou não conseguem encaixar-se em um curso tradicional, o Paraguai é um “campo propício” para os estudos.

A cada ano o número de participantes aumenta, ao mesmo tempo em que o nome da universidade é reconhecido e surge como uma alternativa muito importante na hora de optar por estudos superiores no exterior”, afirmou Beranger, cuja universidade conta com o “Programa Brasil”, voltado à captação de alunos brasileiros para os chamados “cursos de verão”.

Segundo Beranger, tais cursos, com duração oficial de dois anos (mais tese), porém, massacrante carga de até 10 horas por dia, nos meses de janeiro ou julho (férias), adaptam-se à legislação em vigor nos países do Mercosul e podem ser facilmente convalidados pelas instituições do Brasil.

O custo médio para a obtenção dos diplomas, que exigem pelo menos dois deslocamentos ao Paraguai para estudos e um para a defesa do trabalho, oscila em torno de R$ 14 mil por pessoa. A Universidad Americana recebe, anualmente, média de 400 a 500 alunos brasileiros para este tipo de modalidade.

Além da Americana, outra instituição particular que possui vasta clientela brasileira é a Universidad Autónoma de Asunción, cuja assessora para a área de pós-graduação, Alba Ortiz, confirmou que a casa trabalha com a “modalidade intensiva”, com aulas diárias no mês de janeiro, das 08h00 às 22h00.

Em matéria publicada na edição de hoje (05), o jornal ABC Color alerta, no entanto, para a existência, na internet, de anúncios de cursos voltados a brasileiros e oferecidos por instituições sem registro junto à Agência Nacional de Avaliação e Certificação da Educação Superior (ANEAES) do Paraguai.

Tais instituições, segundo a referida fonte, seriam a Universidad Internacional Tres Fronteras, Universidad Metropolitana de Asunción, Universidad San Carlos e Universidad Tecnológica Intercontinental, várias delas, com sedes e extensões em cidades fronteiriças como Ciudad del Este.

Outro detalhe que gera preocupação quanto à qualidade dos cursos (e dos alunos) é o fato de muitos dos matriculados não terem sequer o domínio da língua espanhola, utilizada nas aulas e materiais recomendados pelos professores paraguaios e estrangeiros contratados para tais cursos.

Em entrevista ao ABC Color, por exemplo, estudantes brasileiros hospedados no Hotel Armelle, de Asunción, tiveram dificuldades para entender perguntas simples, necessitando, em alguns casos, de tradução ao “portunhol” para comunicar-se com o jornalista.

Em termos econômicos, os “cursos de verão” parecem ser um bom negócio, tanto para as universidades paraguaias, como para os alunos e para o setor turístico (hotéis, restaurantes, meios de transporte). No quesito aprendizagem, porém, as dúvidas são inevitáveis.

Por Guilherme Wojciechowski - SopaBrasiguaia.com.br

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